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29/02/2012
Autor: Ernani Desbesel
O Factoring no Mundo Virtual

Acabamos de entrar em 2012*, lembro-me que há pouco estávamos na expectativa de entrar no terceiro milênio, pois é, não sei se todos notaram, já estamos nele.

Muitas coisas (tudo) evoluíram numa velocidade impressionante. Tecnologias novas e revolucionárias surgem a cada momento – devemos nos cuidar para não sermos atropelados por elas.

Hoje já não saímos de casa ou do trabalho para fazermos diversas coisas que fazíamos a um tempo não muito distante. Bancos online, pizza delivery, supermercado via web, conversas via skype/msn de forma gratuita ao invés do telefone e tantas outras “modernidades” vivenciadas por todos nós.

Sim, mas onde quero chegar com esse assunto? Bem, certamente tem a ver com duas coisas: o factoring e a tecnologia. Então, vamos misturar as duas e ver no que vai dar.

Inicio com a tecnologia, que oferece as ferramentas maravilhosas que temos à disposição para o exercício da nossa profissão e que acrescentam em segurança, economia e velocidade, principalmente.

Gostaria de dizer que não sou um expert em qualquer matéria que diga respeito a “como se faz” essa tal de tecnologia, me importo, isso sim, com a constante aprendizagem e utilização do que há disponível no momento e, por isso, não posso me abster de chamar a atenção para as oportunidades que a tecnologia traz para o factoring.

No exercício de minha profissão, tive o prazer de visitar e conversar inúmeras vezes com empresários de factoring de vários estados brasileiros. Vi realidades que se distanciavam em alguns pontos e se aproximavam em muitos outros, mas dificilmente saí de uma conversa sem ter levado algum aprendizado ou observação.

Mas, voltando ao assunto tecnologia, invariavelmente percebi que as tecnologias existentes não eram aproveitadas como acredito que podiam ser, claro que em graus diferenciados.

Para evidenciar minha opinião sobre o assunto, elenco abaixo algumas situações interessantes, leiam e respondam:

•    Se há muitos anos utilizamos o home banking, por que motivo tão poucas factorings utilizam-se do home factoring? Você imagina ter conta em um banco que não disponibiliza este serviço? Será que as faturizadas não se importam com isso?

•    Se utilizamos a assinatura digital (certificado) para a comunicação com a Receita Federal, por qual motivo não a utilizamos para assinar os contratos emitidos por nossas factorings?  

•    Se a nossa comunicação principal hoje é o e-mail, por qual motivo não o utilizamos para uma comunicação segura e veloz com nossas faturizadas e sacados/emitentes?

•    Será que o acesso a internet, o home banking, o e-mail e a assinatura digital tendem a desaparecer com o tempo? Temos alguma saída a não ser “embarcarmos nesta viagem” o quanto antes?

Podemos pensar que estas tecnologias são só para grandes empresas, que são muito caras, que exigem muito trabalho ou qualquer outra desculpa nesta linha que justifique a sua não utilização.

Permitam-me discordar, dos exemplos acima não conheço nenhuma tecnologia que custe mais que 50% do valor do “serviço tradicional” ou que possua entraves tecnológicos que inibam sua utilização pelas pequenas, médias ou grandes factorings, pesquisem e constatem.

Se levarmos em consideração o tempo e a velocidade do resultado na utilização de cada uma delas vira covardia a comparação.

Nos cursos que profiro comparo o exemplo da notificação de compra ao sacado de uma duplicata enviada por correspondência com AR, que leva 1 a 2 dias para ser levada pela factoring ao Correio, somado a mais uns 4 a 5 dias para ser recebido pelo sacado e ainda mais uns 4 a 5 dias para o retorno do AR , o que dá uma média de 10 dias para que o AR retorne, as vezes com “más notícias”.

Em contrapartida trago o exemplo da mesma notificação expedida por um e-mail com comprovação de envio, que pode(ria) ser enviado ao endereço eletrônico do sacado até horas antes de ser paga a operação, sendo que nada custaria ao sacado, em caso de operação viciada, clicar em responder e dizer “esta duplicata não possui lastro”, ou algo assim, possibilitando que a factoring nem mesmo pagasse pela compra deste título “frio”.

Tenho grande dificuldade em entender a relutância de algumas factorings em adotar a tecnologia como sua aliada do dia-a-dia, percebo que o desconhecimento e o receio da mudança sejam os responsáveis.

Deixemos os preconceitos para trás, vamos em frente na busca pela melhoria nos processos adotados nas factorings, sempre buscando economia, segurança, velocidade e praticidade.
*atualizado

Ernani Desbesel

Ernani Desbesel
MBA em Gestão Estratégica de Factoring
Advogado Especialista na Prevenção e Gestão de Riscos nas Empresas de Fomento Mercantil, Securitização e FIDC
Ministra os Cursos:
- Prevenção e Redução do Risco Jurídico nas Empresas de Fomento Mercantil e Securitização
- Gestão da Cobrança nas Empresas de Fomento Mercantil e Securitização
- O COAF e as Empresas de Fomento Mercantil
- Gestão Preventiva e Integrada de Riscos para Administradores, Gerentes e Controllers de Empresas de Fomento Mercantil, Securitizadoras e FIDCs
- Gestão Estratégica de Empresas de Fomento Mercantil e Securitização
Ex-empresário do setor de Fomento Mercantil
Consultor de Empresas de Fomento Mercantil, Securitização e FIDC
Auditor Certificado da ISO 31000:2009 - Gestão de Riscos (QSP) 

desbesel@terra.com.br


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